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Um dos trabalhos que estamos desenvolvendo atualmente tem como foco as startups de tecnologia mobile. Fazer parte da equipe da Startup Farm tem trazido aprendizados importantes e um dos temas que tem nos interessado é a ideia de pivô. Empreendedores “pivotam”, seus negócios, ou seja, mudam sua estratégia com certa frequência, pois estão explorando zonas de mercado muitas vezes desconhecidas. O mercado de tecnologia é especialmente dinâmico e muitas vezes durante o projeto surge uma empresa com foco semelhante, ou um obstáculo tecnológico inesperado. Então "pivotar" é parte da essência do empreendedorismo. Mas em torno de quê esse pivô se organiza? Como mudar de rumo sem perder de vista o sonho que guia o empreendimento? O que é de fato “pivotar”? A partir disso criamos o conceito de pergunta-pivô, que virou uma tag importante no processo da Startup Farm. É em torno dessa pergunta que se ergue o negócio e é em torno dela que o negócio “pivota”. É como se o empreendedor já erguesse sua empresa com as capacidades de gestão de mudanças embutidas! Parece bom. Meu livro favorito sobre perguntas não foi escrito por nenhum empreendedor, mas pelo poeta chileno Pablo Neruda. Chama-se: O Livro das Perguntas e procura nos levar ao limite da imaginação. Neruda faz perguntas tais como: Por que os imensos aviões não passeiam com seus filhos? Por que as árvores escondem o esplendor de suas raízes? A fumaça conversa com as nuvens? Por que as folhas se suicidam quando se sentem amarelas? As lágrimas não choradas esperam em pequenos lagos? Com isso, o poeta nos faz observar quantas possibilidades ocultas o mundo tem. Os empreendedores fazem exatamente isso: imaginam e exploram novos espaços de negócios. Mas para isso precisam de clareza. Qual é a questão do mercado que eu quero responder? O que torna meu projeto realmente importante? Questionando-se sobre isso o empreendedor encontra a pergunta pivô. Veja algumas das que surgiram na Startup Farm: Como tornar o processo de desenvolvimento de jogos tão simples quanto o próprio ato de jogar? Como usar a web para aproximar mães e filhos? Como criar um museu mobile de bolso? São perguntas que nascem da observação do mercado, mas também da inspiração e da imaginação. De certa forma, são “perguntas de Neruda”. A pergunta-pivô é fundamental para dar um “centro” ao empreendimento, para trazer foco para a equipe de uma startup, para montar um pitch (a apresentação para investidores), para checar se o espaço do empreendimento que está nascendo já está ocupado por outra empresa. Ela serve também para focar conversas sobre a nova empresa, para checar o entendimento e para ajustar a linguagem que se quer falar com os clientes. Juanita Brown e David Isaacs, criadores do World Café dizem: “Uma vez que as perguntas estão intrinsecamente relacionadas à ação, elas despertam e orientam a atenção, a percepção, a energia e o esforço, e estão, por isso, no centro das formas de evoluir que nossas vidas permitem. A criatividade exige que façamos perguntas legítimas, aquelas para as quais uma resposta não é conhecida de antemão. As perguntas funcionam como convites generosos à criatividade, trazendo à tona aquilo que ainda não existe”. Uma startup é isso: ela nasce num lugar que ainda não existe e, para mobilizar a criatividade dos envolvidos precisa ter um pivô claro e enterrado com paixão num território que se quer realmente conquistar. É em torno disso que surgem as capacidades de gestão da mudança tão admiradas nos empreendedores. Há sentido em suas ações, o que torna o processo de mudança mais ágil e menos dolorido. Mas podemos extrapolar a ideia de pivô. Essa síntese entre inspiração e foco que ele representa é fundamental para qualquer projeto ambicioso que procura explorar um espaço novo de mercado. A arte de fazer as perguntas certas é um dos segredos da inovação e para encontra-las é preciso mapear o território do negócio, conversar com a equipe, eliminar, malhar a ferro, re-enunciar mil vezes até encontrar a essência do que se quer dizer. No final, há uma simplicidade surpreendente nas perguntas pivô, como se estivessem o tempo todo ali à espera de alguém que as encontrasse. É só questão de perceber e fincar a bandeira! * O Startup Farm irá visitar as principais cidades brasileiras em desenvolvimento digital. Para saber mais e fazer sua inscrição acesse o site: http://startupfarm.com.br/inscreva-se-agora

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